Este quadro, intitulado “A Sesta“, data de 1890 e é dos últimos dos cerca de 820 pintados por Van gogh.
Os dois camponeses recostados ao montículo de feno expressam, sem o tradicional uso da fisionomia, toda a narrativa e psicologia que expande o cenário, encontrando focos de um lirismo tão marcadamente melancólico, que transborda de inocência, no merecido descanso da labuta, lutando contra um sol (única fonte de luz possível) que irradia para todos os lados, como se a luz brotasse do chão, pois não há zonas de sombras no quadro.
Apesar da delicadeza paisagística, este quadro coloca o homem na terra, lugar de onde veio e para onde irá; todas as coisas, botas, estrovenga, homem e mulher e animais estão grudados ao solo que absorve quase toda tela, nada há suspenso; exceto uma nesga de céu que se projeta no fundo, distante, não sendo personagem, mas emblema da distância entre o divino e o terreno.
